07 junho, 2016





Prosseguindo em nossas notas sobre o voto, convém que os cristãos-eleitores brasileiros conheçam o partido político em que estão filiados os candidatos a cargos eletivos de sua escolha e que tipo de fidelidade estes possuem em relação à ideologia adotada por sua legenda. Embora, infelizmente, os partidos quase nunca representem uma ideologia clara e definida, sobretudo considerando suas divisões internas e as disparidades entre as diversas unidades da federação, é necessário conhecer as propostas, programas, filosofias e ideologias esposadas por cada um deles, verificando, por exemplo, o que pretendem quanto aos temas aborto, ideologia de gênero, educação pública, intervencionismo estatal, etc.

Já posso adiantar que essa não será tarefa fácil, por razões diversas, dentre as quais o pluripartidarismo multifracionado adotado no Brasil. Hoje (junho de 2016), existem 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Alguns se situam entre a esquerda e a extrema-esquerda (PSOL, PSTU, PC do B e PT...) e, por outro lado, outros, entre a direita e a extrema-direita (Partido Novo, PSDC, PHS...). Há aqueles que são de centro (PMDB, PTB, PSDB...) e há os que tendem do centro à esquerda (PDT, Rede Sustentabilidade, PV, SD...) e do centro à direita (DEM, PTC, PR, PP...). Se você não concorda com as colocações por mim propostas, não me oponho. Na verdade, a nossa discordância só revelará a que nível chegou a mixórdia político-partidária brasileira.

Entretanto, nenhum cristão poderá furtar-se do empenho na busca acima proposta por uma razão enormíssima, dentre outras: o sistema eleitoral proporcional, adotado no Brasil para os cargos de Deputado Federal, Deputado Estadual, Distrital e Vereador. O sistema majoritário (em que o candidato com o maior número de votos é o vencedor da disputa) é aplicado nas eleições para Senadores e Prefeitos de Municípios com menos de 200 mil eleitores (em um único turno), e nas eleições para Presidente, Governadores e Prefeitos de Municípios com mais de 200 mil eleitores (com possibilidade de dois turnos). Por outro lado, para os detentores de mandatos nos Legislativos estaduais, Distrital e municipais (Deputados Estaduais, Distritais e Vereadores) e na Câmara Baixa (Deputados Federais), o sistema eleitoral, como antes adiantei, é o proporcional. Por esse sistema, o voto que o eleitor dar ao candidato pertence ao partido ou coligação a que ele faz parte, para efeito de determinar-se o número de vagas que cada legenda fará jus (“quociente partidário”). Assim, o seu voto nem sempre elegerá o candidato em quem você votou, mas poderá sempre ser útil para eleger outros candidatos da legenda do seu.

Portanto, não é possível votar conscientemente sem conhecer ainda que minimamente o cenário da política partidária brasileira.