06 maio, 2020

"Do presidente a gente não pode esperar nada" Diz André Longo.



O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, cobrou um posicionamento mais incisivo do governo federal sobre a necessidade do isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus. Em coletiva de imprensa transmitida pela internet, nesta quarta-feira (6), ele criticou a postura de Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Saúde, Nelson Teich. Ele disse, ainda, que houve, ao menos, 56 pessoas que morreram com Covid-19 sem sequer ir ao hospital.

Nesta quarta-feira, Nelson Teich disse que não é "contra ou a favor" que sejam adotados bloqueios totais e admitiu que eles podem ser necessários em algumas situações. Entretanto, ele não deu declarações mais incisivas sobre o assunto.
"Ontem, passamos a tarde em reunião com o ministro da Saúde. A pauta prioritária dos secretários foi pedir ao ministro que se defina em relação ao isolamento social, sobre a possibilidade de apoiar os estados em maior dificuldade. Não é possível que a gente não tenha uma posição clara. Do presidente a gente não pode esperar nada, mas do ministro da Saúde a gente espera alguma tecnicidade, uma manifestação pública", afirmou o secretário.
A declaração de André Longo foi dada depois que ele foi perguntado sobre a possibilidade de um "lockdown" no estado, que é o bloqueio total para evitar o agravamento da pandemia. Ela vem sendo usada frequentemente desde o agravamento da pandemia do novo coronavírus.

Na segunda-feira (4), Longo informou que o estado pediu apoio ao Exército para intensificar as medidas de isolamento, devido à falta de resposta do Ministério da Saúde.

Entretanto, segundo o secretário de saúde, o pedido do estado ao governo federal, além de apoio aos estados, ocorre também para uma tentativa de conscientizar as pessoas.
"Nós [secretários de Saúde] pedimos uma campanha publicitária. É um absurdo que, na maior pandemia da história recente, a gente não tenha uma campanha falando do isolamento social. É um absurdo", disse.
O secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia, também criticou a falta de resposta da União sobre o isolamento. Segundo ele, há uma ambiguidade naquilo que é recomendado pelas autoridades sanitárias e praticado pelos estados e o que tem feito o governo federal.
"Quero manifestar nossa indignação sobre a necessidade de uma posição mais explícita do novo ministro da Saúde. Antes, por mais que a posição do presidente tenha sido ambígua, contrariando seu próprio ministério da Saúde, havia uma voz uníssona. Reiteramos indignação com essa ausência, do ponto de vista sanitário", afirmou.
O G1 entrou em contato com o Palácio do Planalto e com o Ministério da Saúde para saber se haveria pronunciamentos sobre as declarações do secretário André Longo. O Planalto disse que não tinha interesse em manifestar-se e o MS, até a última atualização desta reportagem, não respondeu às tentativas de contato da reportagem.

'Lockdown'
Nesta quarta-feira (6), o governador Paulo Câmara (PSB) participou de uma reunião envolvendo os chefes dos Poderes Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas. No entanto, segundo o governo, não houve qualquer anúncio ou deliberação para a implementação de um fechamento total.
"O bloqueio total, eu tenho dito, é muito difícil de implementar sem apoio do governo federal, mas, obviamente, não há uma dependência disso e nós estamos estudando ainda. Pernambuco tem muita responsabilidade e estamos buscando alinhar as iniciativas para fazer. Mas quando for anunciado, será de forma ampla, preservando os serviços essenciais. Nenhum ciclo da economia que for vital vai ser interrompido", afirmou.

Conteúdo: G1 

Nenhum comentário:

Postar um comentário