21 julho, 2020

CARUARU NÃO PRECISA DE MUROS, PRECISA DE CUIDADOS - POR: CAIO SOUSA


Por respeito a direitos humanos, por mais diálogo ao lugar imposições, por mais pontes entre as pessoas ao lugar de muros! Em todo o tempo, e principalmente em tempos de pandemia as pessoas precisam de cuidado e respeito. 

O coronelismo marcado pela imposição das ordens de quem está à frente do poder político, que revela a política tratada como negócio de família que passa do avô para o pai e do pai para filhos e filhas como se herança fosse elegendo pelo sobrenome, que adora ter servidores comissionados no cabresto prontos a entregar apoio e voto pela manutenção da fonte de renda de suas família. Esse coronelismo hoje não é revelado com o nome “Coronel”, mas com uma prática administrativa que revela marcas do passado em uma sociedade que ainda luta para fazer valer sua democracia. 

Dentre as marcas do coronelismo, que são ruins para nosso país, a imposição de ordens aos mais vulneráveis não pode mais ter lugar em nossa política ! 

Mais de 100 dias de pandemia, em tempos onde o diálogo e a construção democrática deveriam existir, a Prefeitura de Caruaru no lugar de construir pontes e dialogar, mais uma vez resolve construir muros , dessa vez não são os muros do silêncio, indiferença ou inércia, são muros de verdade, tapumes, divisórias, apavorando feirantes que vêm seus negócios serem lacrados sem qualquer aviso ou diálogo, tudo isso em após 100 dias de uma quarentena mais rígida. A dignidade da pessoa humana é esquecida! 

Já sofrem os ambulantes expulsos do centro, sofrem os donos de boxes despejados em meio à pandemia, sofrem muitas crianças e famílias que passaram quase 3 meses sem kit merenda, sofrem hoje os feirantes com os MUROS e sem diálogo! 

Muros lembram Trump na fronteira americana; lembram a Alemanha e os guetos nazistas ou muros que dividiam as Alemanha oriental e ocidental, muros lembram Coreia do Norte e seu fechamento, muros são a prova na humanidade da dificuldade de resolver seus problemas e optar pela imposição da divisão da sociedade! Muros protegem os mais ricos , garantem privilégios e excluem os trabalhadores e mais pobres 

O mais triste é que a Prefeitura não entende que é necessário ouvir e dialogar, consequência, as situações constrangedoras em 3 anos e 7 meses se repetem para públicos diferentes, a obra “Via Parque” termina por camuflar e ocultar o grito de socorro dos trabalhadores, dos mais pobres e da periferia, a propaganda pessoal da gestora em período de pandemia, usando-se de obras públicas em vídeo com seu nome gravado no topo da tela, mostra que mais uma vez os gritos dos vulneráveis serão ocultados na campanha de promessas já iniciadas. 

Necessário construir, não impor, imposição é ato totalitário que não cabe na democracia. Necessário dar voz, não ocultar aquelas pessoas que incomodam a perpetuação de práticas impositivas. 

No lugar dos muros, a Prefeitura de Caruaru, nos mais de 100 dias de pandemia, poderia ter optado pela construção democrática, diálogo propositivo, construir junto, orientar, planejar e não prometer planos e soluções após as imposições e muros construídos. 

Pressionada por feirantes e pelo Deputado Delegado Erick Lessa que em plena feira e por vídeo ao vivo no final da noite do sábado 18/07 cobrou a gestão municipal explicações sobre os muros levantados, afinal é parlamentar e como tal deve dar ecoar a voz daqueles que muitos preferem calar. Resultado: na manhã de 19/07 prefeitura volta atrás e os muros começam a cair. 

Para feirantes e caruaruenses fica cicatriz da imposição e ausência de gestão. 

Caruaru precisa superar os tempos da imposição e do coronelismo arraigado em muitas práticas, entender que a cidade precisa de cuidado. 

19 de julho de 2020 

Caio Sousa 

Advogado, Especialista em Direito Municipal, Mestre em Ciências Jurídico Políticas pela Universidade de Lisboa.

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