05 agosto, 2020

PAIXÃO DE CRISTO DE NOVA JERUSALÉM PODE VIRAR PARQUE TEMÁTICO

                 

Quando Plínio Pacheco olhou para a área onde hoje está erguida Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, muita gente via apenas um descampado cheio de mato e pedras. Ele, no entanto, já visualizava o maior teatro ao ar livre do mundo. Visão, sonho e ousadia, portanto, são elementos fundamentais para aquele espaço. Como uma obra que ainda está em construção, o local continua a se aprimorar e, aos olhos de seus mantenedores, deve se expandir ainda mais.

Robinson Pacheco, filho de Plínio e Diva e atual presidente da Sociedade Teatral de Fazenda Nova, responsável pela cidade-teatro, lembra que, para seu pai, o projeto de Nova Jerusalém nunca se resumiu apenas ao local onde é realizada a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém há 50 anos.

“Meu pai sempre teve como foco o crescimento da região. Ele era apaixonado por Fazenda Nova e queria que o entorno se desenvolvesse, privilegiando os moradores daqui”, conta.

Um dos grandes responsáveis pelos planos de futuro junto a Robinson é o figurinista Victor Moreira, 83, que costuma desenhar suas ideias para os cenários e enviá-las para o administrador. “Acordo e vou dormir pensando em Nova Jerusalém. Acho que é nossa obrigação continuar essa empreitada porque não se trata apenas de um espetáculo, mas de uma ideia de fomento à economia a partir das artes”, reforça Moreira.

Para concretizar o sonho de Plínio – e expandi-lo – Robinson faz pesquisas constantes, buscando novidades que possam ser aplicadas em Fazenda Nova. Por isso, foi como uma epifania quando visitou Puy Du Fou, na Vendeia. O local é o segundo parque temático mais visitado da França, atrás apenas da EuroDisney. De janeiro a setembro, são mais de um milhão de visitantes ano. Lá, todas as construções, atividades e espetáculos remetem à períodos históricos como a dominação romana e as aventuras do rei Arthur.
SEMELHANÇAS

O que impressionou Robinson foram as semelhanças com a empreitada de Nova Jerusalém: criado em 1978, Puy Du Fou é um parque rural sem brinquedos. Seu grande investimento é na imersão total do espectador nos espetáculos. Empolgado em fazer o mesmo no agreste pernambucano, ele acredita que Fazenda Nova tem o potencial para repetir o feito.

“Quem olha a cidade-teatro como está, acha ótimo e não vê necessidade de modificações. Para nós, no entanto, é uma obra em construção. Meu pai deu a parte dele por terminada em 2000, e eu tomei para mim essa responsabilidade. Quero em breve calçar todo o teatro. Para o próximo ano, vamos incrementar alguns cenários. E o parque temático é um desejo enorme. Já temos o projeto e apresentamos a alguns investidores que se interessaram, mas, por enquanto, está tudo parado por conta da crise”, conta o coordenador da Paixão.

O projeto do parque temático de Nova Jerusalém, avaliado em cerca de 200 milhões de euros, teria como tema, claro, os tempos do Nazareno, com alguma liberdades, como a construção de uma réplica do Coliseu (obra foi finalizada cerca de 80 anos após a morte de Cristo), além de uma réplica de Fazenda Nova nos anos 1950, quando começaram as encenações do Drama do Calvário. A ideia é que o visitante assista a espetáculos durante a tarde e, à noite, siga para ver uma encenação da Paixão. Além dos espetáculos e dos centros acadêmicos, estão previstos também hotéis e museu memorial.


Conteúdo: Jc Online

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