03 fevereiro, 2021

Municípios pernambucanos estão atrasados no planejamento do ano letivo

O Brasil foi um dos países que fecharam as escolas por mais tempo durante a pandemia da Covid-19, o que pode aumentar as dificuldades na aprendizagem dos estudantes

A pandemia da Covid-19 afetou sistemas de ensino do mundo todo, mas as diferentes realidades e decisões tomadas nos países vão gerar resultados distintos na análise do impacto da crise sanitária na educação. O Brasil está entre os países que fecharam escolas por mais tempo. Os países mantiveram, em média, as escolas sem funcionar por 22 semanas, enquanto o Brasil fechou suas escolas por 40 semanas. Os dados são de um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgados no último dia 24. Em Pernambuco, o impacto pode ser ainda maior, pois, de acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), 73% das escolas municipais não possuem protocolo de retomada das aulas presenciais.

O órgão fiscalizador apontou que a maioria das escolas ainda não definiu protocolo com as regras de retorno às aulas presenciais (73,1%); não definiu os critérios para decidir sobre o retorno às aulas (69,2%); não realizou levantamento sobre necessidade de contratação de profissionais (58,6%); não analisou os custos de adaptações físicas e sanitárias (76,3%) e não sabe o impacto financeiro nos contatos de merenda, transporte escolar e serviços de manutenção e limpeza (81,1%).

Além de criar protocolos para a retomada das aulas, os municípios precisam avaliar os impactos do fechamento das escolas na aprendizagem dos estudantes. “Os desafios da educação sempre foram complexos, mas ficaram ainda maiores por causa da pandemia do novo coronavírus. Com a crise sanitária, houve um aprofundamento na disparidade entre o que estudantes precisavam desenvolver ao longo do ano letivo. Nesse contexto, gestores municipais enfrentam o dilema de como iniciar o ano letivo em 2021, corrigindo o déficit gerado no ano passado pelas dificuldades impostas à educação”, afirma o consultor em gestão de projetos da editora Mundo Educacional e especialista em psicopedagogia institucional, Rubenildo Moura, que tem experiência como consultor da Unesco, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).

A consultora pedagógica da Mundo Educacional e mestre em educação pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Michely Almeida, enfatiza que iniciar 2021 olhando para as aprendizagens dos estudantes é tarefa primeira e urgente de todas as redes municipais de ensino. “É necessário compreender como nossos estudantes enfrentaram o ano de 2020, que foi tão atípico, atravessado por uma pandemia sem precedentes”, pontua. “Este é um momento de diagnosticar e saber até onde os estudantes aprenderam. É preciso fazer uma pausa para avaliar e identificar os percursos que precisam ser replanejados. Só assim será possível continuar a caminhada, com clareza sobre aonde quer chegar”, completa.  

 Tecnologia

Para apoiar os municípios neste desafio, a editora pernambucana Mundo Educacional desenvolveu uma tecnologia que oferece todos os elementos capazes de realizar o planejamento do novo ano letivo, como a elaboração de itens de provas de avaliação personalizadas para o município; a impressão das avaliações; a logística de entrega no município; a coleta das folhas-resposta, além do processamento e análise dos resultados. “À gestão municipal, é entregue um relatório que pode ser visualizado em uma plataforma online ou em meio físico. Nesse relatório, é apontado o resultado da rede como um todo, das escolas, das turmas e do aluno individualmente”, explica Rubenildo Moura. “As avaliações podem ser entregues aos alunos junto aos kits de alimentação que os municípios já vêm distribuindo”, esclarece Michely Almeida.

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